Feb 26, 2021 Última Atualização em: 5:29 PM, Feb 25, 2021

Com a chegada da pandemia do novo coronavírus (Covid-19) no Brasil, as secretarias estaduais de saúde tiveram que enfrentar diversos desafios para proteger a população do contágio da doença. O vírus propõe riscos, principalmente, ao público idoso e é exatamente este o foco da Secretaria Estadual da Saúde do Rio Grande do Sul. Em uma entrevista ao jornal A Voz do Aposentado, da FETAPERGS, a Seção da Saúde do Idoso da pasta de saúde esclarece medidas e alternativas para combate à pandemia. 

Confira abaixo a entrevista na íntegra com a Seção da Saúde do Idoso da Secretaria Estadual da Saúde do RS.

1) Essa pandemia tem sido um desafio para todo o planeta. No entanto, lidar com o público considerado o principal na categoria de risco do novo coronavírus deve ser um desafio ainda maior. Como foram esses quase cinco meses de trabalho com os idosos durante a pandemia?  

Sim. Um grande desafio. A letalidade da COVID-19 é elevada entre as pessoas idosas e cresce com o avançar da idade. Na China, país onde o vírus foi registrado pela primeira vez, registrou-se nas faixas etárias acima de 60 anos as seguintes taxas de letalidade: 3,6% em paciente entre 60 e 69 anos; 8.0% em pacientes entre 70 e 79 anos e 14.8% em pacientes acima ou igual a 80 anos. O grupo etário com menor taxa de letalidade foi o de pessoas entre 10 e 39 anos (0,2%). No Estado do RS isso vem se confirmando: dos 2360 óbitos registradas no território gaúcho, 1875 são de pessoas idosas (79,4%), sendo maior a letalidade nas pessoas acima de 70 anos, dados SES/RS em 10/08/2020. Dada a realidade explicitada acima e em conformidade com o Estatuto do Idoso, a população idosa deve ser priorizada nas ações das políticas públicas, mas historicamente sabemos que este grupo populacional foi muito negligenciado na garantia de acesso a direitos básicos. A pandemia acaba expondo vulnerabilidades históricas das pessoas idosas no acesso a saúde, como a dificuldade de acesso e tratamento oportuno para condições crônicas comuns como diabetes e hipertensão, por exemplo essas condições mal manejadas acabam aumentando o risco de desfechos fatais pelo coronavírus. 

2) Tivemos no RS casos em Instituições de Longa Permanência para Idosos. Esse é um grande problema devido a quantidade de pessoas que estão nestes locais. Como a pasta está lidando para evitar que hajam surtos de coronavírus nestes locais?

Desde março de 2020, a SES tem envidado esforços para enfrentar o impacto da covid 19 nas ILPIs. A partir de abril foram elaborados uma série de documentos específicos para prevenção e controle ao novo coronavírus em ILPI. Em 25 de maio foi publicada portaria estadual - 352/2020, atualmente em vigor, que, além de orientações, determina que as ILPIs elaborem planos de contingência e apresentem a SES, oferecendo parâmetros para sua construção. A portaria teve sua versão original em 5 de maio de 2020 (portaria 289 SES). Anterior a isso, estava em vigor normativa técnica sobre as medidas de prevenção, a qual não tinha força de lei. Desde a publicação da portaria 289, o CEVS e Área Técnica de Saúde do Idoso tem, em conjunto com as regionais de saúde, apoiado as ILPI na elaboração de seus planos, através de apoio remoto, por email, telefone e realizando web reuniões com a presença dos gestores de ILPIs. O trabalho de acompanhamento e monitoramento de surtos e óbitos em ILPI acontece diariamente, através dos dados disponibilizadas pela Coordenadorias Regionais de Saúde e pelo Centro de Operações de Emergência (COE). Temos atualmente 104 ILPI no estado com registro de surtos de covid-19 confirmados e 170 óbitos de residentes nestas instituições, dados SES/RS de 10/08/2020. 

Em relação as testagens, as ILPIs foram inseridas como primeiro grupo a ser priorizado no Testar RS, projeto de ampliação da testagem com RT-PCR para SARS-CoV 2 no território gaúcho, onde a partir do primeiro caso confirmado para COVID-19, na instituição, os trabalhadores e residentes da ILPI identificados como contactantes próximos, sintomáticos ou assintomáticos, devem ser testados por RT-PCR. Ainda, o RS foi contemplado no Projeto Todos pela Saúde ILPI, financiado pela Fundação Itaú, tendo como proposta o suporte técnico, de insumos e de utensílios para as ILPIs. Foram inseridas 31 instituições, localizadas em 15 municípios gaúchos, são ILPIs filantrópicas ou públicas cadastradas no Sistema Único de Assistência Social (SUAS).  

3) Nas redes sociais, há muitas críticas em relação ao trabalho dos órgãos de saúde e especialistas sobre o pico da doença e quando deve haver uma diminuição nos casos. Como explicar o que está acontecendo para as pessoas e orientá-las sobre a importância de seguir as orientações?

A doença causada pelo novo coronavírus é contemporânea e vários de seus aspectos ainda não são conhecidos profundamente pela ciência. A distribuição de casos e a progressão da doença entre as populações tem demostrado responder bem as medidas de distanciamento social de modo que deter o crescimento de casos novos depende tanto da capacidade do Estado em orientar e aplicar medidas de distanciamento social quanto de cada cidadão no sentido de atender as recomendações e determinações das autoridades de saúde. Os cidadãos devem procurar meios oficiais de informação como o portal https://coronavirus.rs.gov.br/inicial.

4) O combate a desinformação é importante neste período de pandemia. Como está sendo feito o trabalho da pasta para evitar que, principalmente os idosos, sigam orientações erradas sobre o combate ao vírus e como lidar na pandemia?

A circulação de informações falsas sobre a COVID-19 tem provocado um desserviço à população, o mais preocupante é que isso influencia diretamente a decisão das pessoas na sua proteção. Pesquisa realizada pela Avaaz, recentemente, apontou que sete em cada dez internautas brasileiros, acreditam em ao menos uma notícia falsa a respeito da pandemia de coronavírus. 

A SES tem investido na transparência das informações por meio do site da Secretaria, tem produzido materiais técnicos voltados para os profissionais de saúde e materiais informativos para a população em geral, como produção de cartazes sobre higienização das mãos e sobre o isolamento domiciliar e tem orientado sobre a busca por informações em sites oficiais, como da Secretaria Estadual de Saúde. No entanto, a comunicação diretamente com a população, dentre elas, os idosos ainda é um desafio. Acredita-se que a imprensa tem um papel importante na disseminação de informação e consegue se comunicar com a população com mais precisão. 

5) Depois de quase cinco meses de trabalho nesta pandemia, qual é a avaliação que você faz até aqui desse trabalho da pasta? Atendeu às expectativas? Ficou abaixo ou acima das expectativas?

Houve um investimento na ampliação da Rede de Saúde, concentrado na ampliação dos leitos de internação clínica e de Unidades de Terapia Intensiva (UTI) em todas as macrorregiões de saúde, leitos que provavelmente ficarão como legados no pós pandemia. A ampliação das testagens e da rede de laboratórios também tem sido fundamental para o diagnóstico, isolamento e tratamento de sintomáticos, ações consideradas estruturantes. Quanto as expectativas, é difícil avaliar, num cenário de calamidade pública, um vírus com proporções desconhecidas pela ciência, sem medicamento específico e sem vacinas. Ressalto que a pandemia evidenciou o quanto é necessário o maior investimento no Sistema Único de Saúde, que desde sua criação sofre com o sub-financiamento, o SUS é patrimônio do povo brasileiro e salva vidas.  

6) Quais serão os principais desafios da pasta daqui pra frente até achegada de uma vacina e da imunização da categoria dos idosos?

O maior desafio seguirá sendo atender através do Sistema Único de Saúde todas as pessoas idosas que necessitarem de cuidados em saúde. A suficiência da oferta de atendimento a todos que necessitem depende de conciliar as medidas de distanciamento social com as medidas de capacidade do sistema de saúde. A SES/RS gerencia a distribuição de Equipamentos de Proteção aos profissionais de saúde (EPIS), gerencia a distribuição de testes para a covid-19, monitora todos os casos positivos de covid, monitora leitos, respiradores etc. É um grande trabalho prestado pelos servidores públicos do Rio Grande do Sul a população gaúcha e a demanda de trabalho ainda cresce diariamente. 

7) Você poderia deixar um recado aqui para a categoria de aposentados, pensionistas e idosos sobre como lidar nessa situação de isolamento e sobre orientações para evitar o contágio do vírus?

Fiquem em casa sempre que possível. Usem máscara se tiverem que sair de casa.  Lavem as mãos com água e sabão frequentemente. Se possível, utilizem álcool em gel a 70% para higienização das mãos regularmente. Mantenham ventilação natural da casa com janelas e as portas abertas sempre que possível. 

Neste momento de isolamento social, é normal estarmos diariamente expostos ao bombardeio de informações e notícias sobre a pandemia do novo coronavírus (covid-19) o que resulta em um estresse e preocupação que acabam prejudicando a saúde mental e até física das pessoas. 

É importante, nesta situação, evitar pensamentos negativos, pois o isolamento social não é uma punição e, sim, preservação e contribuição para o bem de todos. Permanecer em casa por um tempo é necessário, mas é não é definitivo. Crie momentos de cuidados pessoais como hidratar o cabelo, cortar e fazer as unhas, experimentar receitas na cozinha, escutar músicas que você gosta, ler livros e fazer cursos de forma online. 

Além disso, é possível evitar a solidão durante o isolamento social ao manter o contato com amigos e familiares por telefone ou pelas redes sociais. Também é importante não ficar fazendo nada, pois isso prejudica a sua saúde mental. Procure fazer exercícios físicos em casa ao seguir diversos vídeos disponíveis por profissionais na internet, aprenda coisas novas e busque realizar um projeto ou desafio neste período.

Caso compartilhe a casa com outras pessoas, envolva a família toda em atividades domésticas, ao dividir as refeições, momentos de limpeza e higiene, para não sobrecarregar ninguém e ocasionar estresse. É importante pensar nos outros nesse momento, devemos oferecer ajuda com responsabilidade para garantir a sua segurança e a do próximo. Evite que as suas ações coloque você e as outras pessoas em risco.

A Seção de Saúde do Idoso ligada a Secretaria Estadual de Saúde do Rio Grande do Sul divulgou uma série de orientações específicas para o público idoso, categoria de risco do novo coronavírus (covid-19).

Entre as recomendações da pasta para a terceira idade, está a adoção de medidas para restringir o contato social, ou seja, é importante para os idosos se manterem em casa e só saírem em casos de extrema necessidade. Além disso, também ajuda evitar aglomerações, reuniões, participação em festas, cultos, missas e viagens e se privar do contato com pessoas que retornaram recentemente de viagens e com menores de 12 anos de idade. 

Para idosos em condição de vulnerabilidade, o isolamento total não deve ser feito, porém é importante intensificar condutas de diminuição de risco para o contágio pelo Covid-19 e deve-se priorizar o contato telefônico e/ou eletrônico, quando possível. 

Caso a pessoa idosa apresente coriza, tosse e dor de garganta que lhe cause incômodo, além de febre (para os de idade entre 60 e 79 anos), é recomendado procurar uma unidade básica de saúde. É importante procurar uma emergência hospitalar ou unidade de pronto atendimento quando apresentar febre (para os de idade de 80 anos ou mais), falta de ar, sensação de cansaço para esforços de rotina ou sensação de fraqueza grave, confusão mental ou alteração comportamental, sede excessiva e dor abdominal, principalmente do lado direito.

Outra recomendação da Secretaria Estadual de Saúde é evitar a automedicação, não utilizar antibióticos, vitamina C e corticoide sem conhecimento do médico. Além disso, segundo orientações da pasta, usuários de medicamentos para tratamento da hipertensão devem ser utilizados normalmente conforme prescrição médica. 

Para mais informações e recomendações, os telefones disponibilizados são o 136 (Ministério da Saúde), o 150 (Secretaria Estadual de Saúde) e o 192 (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência - SAMU).

Os idosos estão entre as pessoas que são mais vulneráveis ao novo coronavírus (COVID-19). Por causa de um sistema imunológico deficiente por causa da idade, a ida a hospitais com mais frequência e por pulmões e mucosas mais frágeis, os idosos acabam se tornando o grupo mais afetado pela doença.

É necessário que os idosos estejam com as vacinas em dia, controlar possíveis casos de diabetes e outros problemas como doenças cardíacas. Além disso, as autoridades de saúde recomendam que é importante o idoso manter-se fisicamente ativo e reduzir, quando possível, as idas a hospitais para evitar o contágio.

Outras recomendações são as mesmas direcionadas a outras faixas da população: lavar bem as mãos, afastar-se de pessoas com suspeita de infecção e tentar não levar uma vida sedentária e não fumar. Também é importante evitar sair de casa, caso apresente algum sintoma da doença

A recomendação é que os idosos bebam líquidos como água, suco ou leite etc., mesmo que não tenham sede. A orientação é de um grupo de pesquisadores ligados ao Departamento de Cuidados Primários e Saúde da População do University College, em Londres, na Inglaterra.

Após uma entrevista com nove cuidadores informais e 24 idosos em risco de desnutrição e desidratação, os pesquisadores concluíram que idosos podem se beneficiar com o incentivo para o consumo de líquidos mesmo que não tenham sede.

Com os resultados da pesquisa, foi identificado que não existe um padrão de consumo de líquido comum entre os entrevistados, pois alguns bebem muito pouco e outros consomem mais líquidos. Por exemplo, uma mulher com mais de 75 anos admitiu que tomava apenas um copo de cerveja por dia. Outra entrevistada, que possui mais de 90 anos, admitiu que é necessário um consumo maior de líquidos, porém no dia da entrevista bebera apenas duas xícaras de café preto.

Muitos idosos relatam que a diminuição do consumo de líquidos está relacionado a falta de sede, o temor de incontinência urinária, o difícil acesso a banheiros públicos e a redução do apetite. Outros relataram também o problema de redução da mobilidade.

Para solucionar este problema, o grupo de pesquisadores sugere o desenvolvimento de programas de apoio à hidratação dos idosos, ao invés de indicar apenas que é necessário o consumo entre 1.5 e 2 litros de água por dia e intensificar em períodos mais quentes do ano. Além disso, todos os entrevistados afirmaram estarem disponíveis para receber apoio para manter a ingestão de líquidos com o objetivo de evitar a desidratação e os efeitos prejudiciais.

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